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Ano 1 Número 6 Junho 1999 |
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Um mergulho no tempo geológico Das geleiras para o deserto |
A equipe da Fundação Paleontológica Phoenix participará dos dois eventos, apresentando alguns dos trabalhos realizados nos últimos meses e as atividades desenvolvidas na área de ensino de paleontologia.
Geologia: Sergipe-Alagoas
durante o Permiano
Neste número damos continuidade à apresentação da história geológica da bacia de Sergipe-Alagoas, mostrando os registros sedimentares que sucederam aos depósitos gerados pelas geleiras do Carbonífero superior.Após o período glacial do final do Carbonífero, há cerca de 300 milhões de anos, os registros que ficaram preservados são representados por sedimentos depositados durante o Permiano, um período do Paleozóico situado entre 290 e 245 milhões de anos atrás.
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Neste período, o clima foi bastante diferente do anterior. Com a movimentação do grande continente de Gondwana das altas latitudes para a região equatorial, o clima tornou-se bastante seco e quente. As geleiras e algumas áreas com provável influência marinha do período anterior foram substituídas por extensos corpos aquosos, provavelmente lagos, e campos de dunas. As florestas de clima temperado foram progressivamente substituídas por uma vegetação escassa e de pequeno porte. |
Mapa paleogeográfico do final do Permiano (cerca de 255 milhõ es de anos). Sergipe e Alagoas estavam situadas em áreas sub-equatoriais (adaptado de Scotese, 1997). |
Esta mudança climática ficou também registrada em outras bacias brasileiras, como na bacia de Tucano (Bahia), Parnaíba (Maranhão-Piauí) e Paraná.
| Rochas de idade permiana ocorrem principalmente na região sul do Estado de Alagoas. Entretanto, um dos afloramentos mais característicos desta idade, estudado ainda por Hartt no século passado, situa-se em Sergipe, às margens do rio São Francisco, pouco a sul da cidade de Neópolis. |
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| Morro do Aracaré, às margens do rio São Francisco, em Sergipe - localidade-tipo das rochas permianas na bacia de Sergipe-Alagoas (Foto: Wagner Souza Lima). |
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Nesta região, estas rochas são representadas por arenitos interpretados como de origem eólica e por níveis de laminitos algais silicificados.O clima quente e árido não propiciou o desenvolvimento de uma fauna e flora diversificada durante o Permiano nesta região. Exceto pelas bioconstruções algais, nenhuma outra grande forma fóssil foi até o momento encontrada. Como microfósseis, ocorrem alguns esporomorfos de gimnospermas, cuja associação confere idade permiana a estas rochas. A presença da alga Botryococcus braunii e de prováveis algas carófitas sugere que estas rochas foram originadas em um ambiente sob influência de água doce. |
| Arenitos de origem eólica de idade permiana - um deserto? (Foto: Wagner Souza Lima). |