Neste número:
![]() |
Ano 2 Número 13 Janeiro 2000 |
![]() |
Um mergulho no tempo geológicoA grande extinção do final do Cretáceo |
Neste mês iniciamos também a catalogação sistemática da coleção em computador, o que facilitará o controle dos exemplares já disponíveis e a consulta ao acervo do público interessado.
Continuando o relato da história da bacia de Sergipe-Alagoas, chegamos ao final do Cretáceo, um período de grandes mudanças, não apenas nesta bacia, mas em todo o mundo. O final do Cretáceo marca a extinção de cerca de 30% dos gêneros marinhos existentes e de uma parte significativa dos seres que habitavam as porções terrestres, entre os quais os dinossauros. De importância para esta época, do ponto de vista bioestratigráfico, tem-se a extinção dos amonóides, importantes fósseis-guia do Mesozóico.
Geologia: os registros do Cretáceo superior
Ao final do Cretáceo era bem definida a separação entre as placas sul-americana e africana. Isso permitiu a existência de um largo oceano entre as duas grandes áreas continentais individualizadas. A morfologia deste oceano causou mudanças climáticas acentuadas, principalmente sobre as áreas circunvizinhas, relacionadas, em particular, ao aumento da umidade. Desta forma, aumentou a precipitação pluviométrica sobre o continente, favorecendo o fluxo de material siliciclástico, como areias e argilas para as bacias oceânicas, até pouco tempo dominadas pela deposição de carbonatos em um clima relativamente quente e seco.Na bacia de Sergipe-Alagoas, ao término do Coniaciano (cerca de 86 milhões de anos), praticamente cessou a deposição de carbonatos, e uma nova formação de plataforma carbonática só ocorreria no Terciário, mesmo assim de magnitude bem inferior àquelas do início do Cretáceo. A deposição passou essencialmente a sedimentos arenosos ao longo da linha de costa e sedimentos finos, de composição síltico-argilosa, com alguns corpos arenosos na plataforma continental, talude e bacia oceânica.
![]() |
Além das mudanças fisiográficas, a ruptura final entre as placas sul-americana e africana causou o resfriamento da crosta continental até então estirada e fraturada, o que possibilitou uma lenta subsidência do embasamento da bacia. Este fenômeno de subsidência diferencial causou o basculamento geral da bacia para leste, de modo que as camadas depositadas inclinaram-se para esta direção. Este basculamento, associado à progressiva expansão do oceano Atlântico, fez com que o mar também recuasse para o leste, deixando expostas as rochas nas porções próximas à borda da bacia. |
| Diagrama esquemático
da configuração dos continentes sul-americano e africano há cerca de 65 milhões de
anos, no final do Cretáceo.
|
|
| Rochas do final do Cretáceo ocorrem praticamente ao longo de toda a costa do Estado de Sergipe, a norte do rio Vaza-Barris. Contudo, a sua constituição litológica, representada principalmente por folhelhos facilmente alteráveis, e as coberturas sedimentares pós-cretáceas fazem com que os afloramentos sejam muito escassos, restringindo-os aos municípios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Santo Amaro das Brotas. | |
|
Apesar de escassos, alguns afloramentos
apresentam uma fauna muito diversificada, onde predominam pequenos bivalvios e
gastrópodos, destacando-se ainda os dentes de tubarões e outros peixes, alguns pequenos
amonóides, e um grande réptil marinho, denominado mosassauro. Grandes exposições de rochas do final do Cretáceo ocorrem na bacia de Pernambuco-Paraíba, onde destaca-se a fauna de amonóides, equinóides, bivalvios, crustáceos e répteis marinhos. |
Um dos mais importantes afloramentos das camadas de rochas do final do Cretáceo, no município de Nossa Senhora do Socorro (foto: Wagner Souza Lima). |
|
Reconstituição ambiental de parte da fauna marinha do final do Cretáceo da bacia de Sergipe, destacando-se o mosassauro (fonte: Globo Ciência, Fev. 1998; ilustração de Martini). |
![]() |