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Ano 1 Número 12 Dezembro 1999 |
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Um mergulho no tempo geológicoUm grande oceano no final do Cretáceo |
Neste ano, procuramos sintetizar, restringindo-nos ao pouco espaço disponível no nosso informativo, as idéias que já foram lançadas sobre a história da bacia de Sergipe-Alagoas e, portanto, passíveis de serem questionadas. A ciência é assim, dinâmica. Por este motivo está sempre em contínua evolução, com descobertas por vezes surpreendentes e inesperadas. Difícil dar a palavra final...
Ao longo do ano, ampliamos a coleção com várias coletas realizadas principalmente no Estado de Sergipe, nas seqüências marinhas do Aptiano ao Campaniano. Esta atividade está dentro do contexto de preservação do patrimônio fossilífero da bacia, auxiliada pela catalogação de afloramentos e seleção dos afloramentos-chave a serem preservados. Incorporamos também à coleção, material procedente das bacias do Araripe, Taubaté, São Luís e Paraná, no Brasil, e também do Triássico, Jurássico e Campaniano da Alemanha e Campaniano da Espanha.
Através de convênio com a Universidade Tiradentes, em Sergipe, criamos um programa de estágios para estudantes de nível superior. Nossa primeira estagiária, Iolanda Fátima P. Ewerton, do curso de Turismo, auxiliou-nos na estruturação do roteiro turístico geológico-paleontológico para a bacia de Sergipe-Alagoas, durante o desenvolvimento de sua monografia de conclusão do curso, apresentada neste mês.
Dentro das atividades didáticas
junto a estudantes do ensino médio e fundamental, foram levados ao campo estudantes dos
colégios Amadeus e CCPA, de Aracaju. A fundação apoiou ainda feiras de ciências
realizadas nos colégios Amadeus e na Cooperativa Educacional de Sergipe. Foram ainda
realizadas duas palestras, uma na Universidade Tiradentes e outra na Cooperativa
Educacional de Sergipe, ambas em Aracaju.
Continuando o relato da história da bacia de Sergipe-Alagoas, chegamos quase ao final do Cretáceo. Desde então, o oceano Atlântico, já com ampla extensão, teve papel fundamental no controle deposicional na bacia.
Geologia: os registros doCretáceo superior
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No início do Cenomaniano, há cerca de 95 milhões de anos, uma grande subida
relativa do nível do mar fez com que a sedimentação de plataforma carbonática,
caracterizada predominantemente por sedimentos de águas rasas, fosse substituída por um
novo sistema onde predominavam os carbonatos de granulação muito fina (dito
micríticos), de água profunda. Este sistema cobriu grande parte da bacia, atingindo
parcialmente a bacia de Alagoas e avançando ainda para a porção sul da bacia de
Sergipe, conhecida atualmente como "plataforma de Estância".
Durante esta época, proliferaram na bacia os grandes amonóides, alguns atingindo cerca de 1 metro de diâmetro, e também os inoceramídeos, bivalvios epifaunais de grande importância bioestratigráfica. Ocorrem com alguma freqüência equinóides, gastrópodos e fragmentos de peixes.. |
| Diagrama esquemático da configuração dos continentes sul-americano e africano há cerca de 90 milhões de anos. | |
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A deposição destes carbonatos de água profunda estendeu-se até o início do Coniaciano, há cerca de 88 milhões de anos. Tamanha continuidade deposicional deve ter sido favorecida por um clima quente e seco, com poucas chuvas, o que dificultava o influxo de material derivado do continente para a bacia e conseqüentemente evitava a turbidez da água do mar, desfavorável para a deposição dos carbonatos.Rochas deste período apresentam, assim como as camadas marinhas mais antigas, ótimas exposições na bacia de Sergipe. Afloram principalmente nos municípios de Laranjeiras, Japaratuba, Carmópolis, São Cristóvão e Maruim. No Estado de Alagoas ocorrem apenas em subsuperfície. |
| Exposição de carbonatos rítmicos na Pedreira Votorantim, em Sergipe (foto: Francisco Eduardo G. Cruz). | Rochas similares, de mesma idade, ocorrem também na bacia Potiguar, embora as exposições sejam menos expressivas. |